Arte Sustentável: Lixo Eletrônico Vira Exposição
Um grupo de artistas paulistanos está chamando a atenção com uma iniciativa que une criatividade e consciência ambiental. O coletivo Recicla Arte, formado por 12 artistas, inaugurou nesta terça-feira (14) a exposição “Novo Ciclo”, no centro de São Paulo. As obras são feitas inteiramente com lixo eletrônico, como placas de circuitos, cabos, teclados e monitores descartados.
A mostra, que fica em cartaz até 31 de agosto na Galeria do Beco do Aprendiz, apresenta 25 esculturas que retratam desde animais em extinção até figuras humanas em poses reflexivas. O destaque fica por conta da obra “A Última Conexão”, uma tartaruga gigante feita com mais de 500 chips de computador.
“Queremos mostrar que o lixo não é o fim, mas o começo de algo novo”, afirma Maria Silva, uma das líderes do coletivo. “Cada peça eletrônica descartada carrega uma história, e nós damos a ela uma nova vida através da arte.”
A exposição conta com parceria de empresas de reciclagem, como a EcoTech Solutions, que doou os materiais. Além disso, o projeto recebeu apoio da Secretaria Municipal de Cultura e do Instituto Arte Viva.
Os visitantes podem interagir com algumas obras, como a instalação “Circuito Humano”, que acende luzes conforme o toque. A entrada é gratuita e, aos sábados, haverá oficinas de criação com lixo eletrônico para crianças e adultos.
“A arte tem o poder de transformar a percepção das pessoas”, diz o crítico de arte João Pereira. “O que antes era visto como lixo agora é admirado como expressão artística. É um convite à reflexão sobre nosso consumo.”
A mostra já atraiu centenas de visitantes no primeiro dia. Escolas da região agendaram visitas guiadas. O coletivo planeja levar a exposição para outras capitais brasileiras, como Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
O impacto ambiental também é significativo: mais de 2 toneladas de resíduos eletrônicos foram reaproveitados na criação das obras. Segundo dados da Associação Brasileira de Reciclagem Eletrônica, o Brasil descarta anualmente cerca de 2 milhões de toneladas de lixo eletrônico, dos quais apenas 3% são reciclados.
