No cenário corporativo atual, a sustentabilidade deixou de ser um diferencial e tornou-se uma necessidade estratégica. Pequenas e médias empresas (PMEs) estão na vanguarda dessa transformação, adotando práticas inovadoras que unem rentabilidade e responsabilidade ambiental. De acordo com dados recentes do Sebrae, 67% dos novos negócios no Brasil já incorporam critérios ESG (ambientais, sociais e de governança) em suas operações.
Um exemplo é a startup paulista VerdeTech, que desenvolveu uma tecnologia de reciclagem de resíduos eletrônicos capaz de recuperar 95% dos materiais valiosos, como ouro e cobre. Com sede em São Paulo, a empresa conquistou um contrato com a prefeitura municipal para processar equipamentos descartados, gerando receita e empregos verdes. ‘Vemos o lixo como matéria-prima. É uma linha de produção que nunca acaba’, afirma a CEO, Marina Silva, ex-executiva do setor de tecnologia.
Outra tendência é a economia compartilhada. A plataforma CompartilhaMais, do Rio de Janeiro, conecta empresas que possuem maquinário ocioso a outras que precisam de equipamentos por curtos períodos, reduzindo custos e desperdícios. Em um ano, a plataforma já intermediou mais de R$ 2 milhões em transações, evitando a emissão de toneladas de CO2 provenientes de novas produções.
O movimento também atrai investidores. O fundo de venture capital SustentAmbiental, com atuação na América Latina, destinou R$ 500 milhões para startups de impacto socioambiental. ‘O retorno financeiro é aliado à geração de benefícios para o planeta. É o futuro dos negócios’, diz o sócio-fundador, Carlos Menezes.
Especialistas apontam que grandes corporações estão de olho nessas inovações. A multinacional Grupo EcoBrasil anunciou uma parceria com a VerdeTech para escalar a tecnologia de reciclagem em escala nacional. Além disso, o governo federal, por meio do BNDES, lançou linhas de crédito especiais com juros reduzidos para projetos de economia circular.
Para o professor da FGV, Ricardo Almeida, a tendência é irreversível: ‘A sociedade e o mercado estão cobrando das empresas uma postura ativa. Quem não se adaptar, ficará para trás’. A advertência se reflete nos números: o mercado de produtos e serviços sustentáveis cresceu 40% no último ano, segundo a consultoria GreenBiz.
Apesar do otimismo, há desafios como a falta de infraestrutura e de capacitação. Mas as iniciativas mostram que é possível inovar com propósito. ‘Nossa geração é a primeira a sentir os impactos das mudanças climáticas e a última que pode agir. Estamos agindo’, conclui Marina Silva, da VerdeTech.
