O Retorno de um Clássico
Na última Semana de Moda de Paris, um tecido discreto roubou a cena: o linho português. Estilistas como Maria João Bastos e a dupla da etiqueta Lino & Cá, radicada em Guimarães, apresentaram coleções inteiras em linho, despertando o interesse de buyers internacionais. Mas esse não é um fenômeno isolado: nos últimos dois anos, as exportações de linho de Portugal cresceram 34%, segundo a Associação Têxtil do Minho.
Tradição e Modernidade
O segredo está na conjugação de técnicas artesanais herdadas de gerações com inovações sustentáveis. Na fábrica Tecelagem do Ave, em Famalicão, máquinas modernas trabalham lado a lado com teares manuais, muitos deles operados por artesãos com mais de 50 anos de ofício. O processo de tingimento usa corantes naturais extraídos de plantas locais, como a casca de castanheiro e a erva-dos-sete-sangrias.
O Papel dos Jovens Designers
Enquanto isso, uma nova geração de criadores, como o jovem Pedro Figueiredo, vencedor do Prêmio Bloom acessórios 2025, resgata o linho para roupas urbanas e casuais, fugindo do estereótipo de tecido rústico. Suas peças oversized em linho misturado com algodão orgânico já estão em lojas conceito em Tóquio e Berlim.
Desafios e Futuro
Apesar do sucesso, o setor enfrenta desafios: a seca no Alentejo, principal região produtora de linho, ameaça a matéria-prima. Porém, projetos de irrigação eficiente e o cultivo em consórcio com outras culturas prometem mitigar o problema. Especialistas acreditam que o linho português não é só uma tendência passageira, mas um movimento em direção a uma moda mais consciente e conectada às raízes.
