Arte e Algoritmo: A Nova Fronteira da Criação
Uma exposição inovadora no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo está chamando a atenção de críticos e amantes da arte. Intitulada “Paleta Digital”, a mostra reúne obras de 12 artistas que utilizam inteligência artificial como ferramenta principal de criação. As peças incluem desde pinturas geradas por algoritmos até instalações interativas que respondem ao público em tempo real.
Entre os destaques está a obra “Neurônios de Van Gogh”, do brasileiro Lucas Mendes, que recria o estilo do pintor holandês usando redes neurais treinadas em milhares de imagens de seus quadros. Outra peça notável é “Caos Controlado”, da espanhola María Fernández, que utiliza GANs (Redes Adversárias Geradoras) para produzir paisagens abstratas em constante mutação.
O curador da exposição, Ricardo Oliveira, explica que o objetivo não é substituir o artista humano, mas expandir as possibilidades criativas. “A IA é uma ferramenta, como o pincel ou o cinzel. O que importa é a intenção por trás do uso”, afirma. No entanto, nem todos concordam. A Associação de Artistas Plásticos do Brasil (AAPB) emitiu uma nota crítica, questionando se tais obras podem ser consideradas arte genuína.
A exposição também levanta questões éticas sobre direitos autorais. Muitos dos algoritmos foram treinados com imagens de artistas consagrados, sem compensação ou autorização. Em resposta, o coletivo Artistas por Autoria propôs um selo de certificação para obras que respeitem a propriedade intelectual.
“Paleta Digital” fica em cartaz até setembro de 2026, com entrada gratuita. A expectativa é que o debate sobre arte e tecnologia continue ecoando nos próximos meses.
