Em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas, uma equipe de engenheiros liderada pela professora Ana Lúcia Silva alcançou um marco histórico: a transmissão de dados em frequências de terahertz, superando as barreiras físicas que até então limitavam o 6G. Em parceria com o Instituto de Tecnologia de Pequim, os pesquisadores utilizaram metamateriais e inteligência artificial para criar antenas capazes de operar em 100 GHz a 1 THz.
O experimento, publicado na revista Nature Communications, demonstrou uma taxa de transferência de 1 terabit por segundo em condições reais de laboratório. “Estamos falando de baixar um filme em 4K em menos de um segundo”, explica Silva. “Mas o verdadeiro impacto será em áreas como cirurgia remota, veículos autônomos e realidades imersivas.”
O gigante tecnológico Samsung já manifestou interesse na tecnologia, enquanto o governo brasileiro, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, anunciou investimento de R$ 500 milhões no projeto. A expectativa é que os primeiros protótipos comerciais cheguem ao mercado em 2030, com a padronização global prevista para 2028.
No entanto, desafios persistem, como o alto consumo de energia e a necessidade de novas infraestruturas. “Estamos apenas no começo”, afirma o pesquisador Li Wei, do instituto chinês. “Mas o potencial é transformador.”
