Em um laboratório nos arredores de São Paulo, uma equipe de pesquisadores brasileiros alcançou um feito que pode ecoar por décadas: a estabilização de qubits por mais de 10 minutos em temperatura ambiente. O marco, publicado na renomada revista Nature, coloca o Brasil no mapa da corrida quântica global.
O experimento, liderado pela física Marina Duarte, utilizou uma nova arquitetura de pontos quânticos baseada em silício, que reduz drasticamente a interferência externa. “É como se tivéssemos encontrado uma maneira de fazer os átomos dançarem em sincronia por muito mais tempo”, explicou a pesquisadora.
O impacto potencial é imenso. Na área de criptografia, sistemas quânticos podem tornar obsoletos os atuais métodos de segurança, exigindo novos protocolos. Na medicina, simulações quânticas permitiriam o desenvolvimento de fármacos personalizados em tempo recorde. E na indústria de energia, poderiam otimizar redes elétricas e criar baterias mais eficientes.
Empresas como IBM, Google e a chinesa Alibaba já investem bilhões em hardware quântico, mas enfrentam o desafio da fragilidade dos qubits. O avanço brasileiro, embora ainda em escala laboratorial, oferece um caminho promissor para superar essa barreira.
Especialistas alertam que ainda há um longo caminho até computadores quânticos comerciais amplamente acessíveis. “É um passo crucial, mas não o destino final”, pondera o engenheiro de software Carlos Nascimento, que acompanha o setor.
A notícia chega em um momento em que a corrida pela supremacia quântica se intensifica, com startups e gigantes tech disputando cada avanço. O Brasil, com sua tradição em pesquisa em física e engenharia, pode se tornar um jogador relevante, atraindo investimentos e talentos.
