Do lixo ao luxo: a revolução dos materiais
Em um cenário onde a indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo, uma nova geração de estilistas no Brasil está transformando resíduos em peças desejáveis. A marca paulistana Osca apresentou no São Paulo Fashion Week uma coleção feita inteiramente de plástico reciclado dos oceanos, em parceria com a ONG Sea Shepherd. As texturas imitam seda e couro, mas com impacto ambiental mínimo.
Algodão regenerativo e tingimento natural
No Nordeste, a cooperativa Algodão Vivo lidera um projeto de cultivo regenerativo que restaura o solo e usa apenas corantes extraídos de plantas nativas, como jenipapo e urucum. A estilista Larissa Mendes , que assina uma coleção cápsula com a marca, afirma: ‘Não é só tendência, é urgência. O consumidor quer saber a origem de cada fio’.
Tecnologia a favor da transparência
Startups como a Fibra Rastreável usam blockchain para permitir que o cliente escaneie um QR code na etiqueta e veja toda a cadeia produtiva, desde a fazenda até a loja. Essa transparência é um diferencial competitivo, segundo a consultoria McKinsey, que aponta crescimento de 20% ao ano no mercado de moda ética.
Desafios e oportunidades
Apesar do avanço, a moda sustentável ainda enfrenta desafios como o preço alto e a escala reduzida. Especialistas como a professora da FGV, Ana Beatriz Carvalho, destacam que políticas públicas de incentivo fiscal são essenciais. ‘O Brasil tem potencial para ser líder global, mas precisa investir em infraestrutura e educação’, afirma. Com a proximidade da COP30, em Belém, o setor espera ganhar visibilidade e atrair investidores internacionais.
