A moda sustentável nunca foi tão levada a sério
A temporada de verão 2026 trouxe uma revolução silenciosa nas principais semanas de moda do mundo. Em Milão, Paris e Nova York, o conceito de ‘lixo como luxo’ ganhou força: estilistas transformaram resíduos têxteis, plásticos reciclados e até sobras de alimentos em peças de alta-costura. A britânica Stella McCartney, pioneira nessa abordagem, apresentou uma coleção inteiramente feita de tecidos biodegradáveis e tingimentos naturais, provando que é possível aliar ética e estética.
O Brasil também marcou presença com a grife paulistana Insecta Shoes, que reaproveita descartes da indústria automotiva para criar sapatos veganos e duráveis. Segundo a consultoria McKinsey, o mercado de moda sustentável deve crescer 15% ao ano até 2030, impulsionado por consumidores cada vez mais conscientes e por regulamentações mais rígidas, como as da União Europeia.
Outro destaque foi a parceria entre a fast fashion Zara e a ONG Greenpeace para criar uma linha cápsula de roupas com garantia de reparo e reciclagem. A iniciativa visa reduzir as mais de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis gerados anualmente no mundo, segundo a Ellen MacArthur Foundation.
Nas passarelas, os looks com ‘upcycling’ (reutilização criativa) dominaram: vestidos feitos de retalhos, jaquetas de garrafas PET e acessórios de pneus descartados. A modelo Gisele Bündchen, conhecida por seu ativismo ambiental, desfilou para a grife francesa Chloé usando uma capa de renda biodegradável.
Para os especialistas, essa tendência não é passageira. A moda sustentável veio para ficar e está mudando a forma como produzimos, consumimos e descartamos roupas. O futuro é circular, e o Brasil, com sua rica biodiversidade e criatividade, tem potencial para ser protagonista nessa nova era.
