Música, Artes Plásticas e Performance se Encontram no Ambiente Online
Nos últimos meses, uma nova onda de artistas tem transformado a maneira como consumimos e produzimos arte. De bate-papos ao vivo a exposições virtuais interativas, nomes como Vik Muniz, Paulo Nazareth e a cantora Liniker estão na vanguarda de um movimento que prioriza a experiência coletiva em detrimento do lucro imediato. O Festival DoSol, realizado de forma remota em julho de 2026, reuniu mais de 50 criadores de diferentes estados, com transmissão gratuita pelo YouTube e Twitch.
A curadoria do evento, assinada pelo artista visual Jota Mombaça, apostou em performances que misturam dança, música eletrônica e inteligência artificial. O público, que ultrapassou 2 milhões de visualizações, pôde interagir em tempo real através de chatbots e realidade aumentada. Para a crítica de arte Lilian Amaral, essa nova fase representa uma democratização do acesso: ‘Nunca antes tantas pessoas puderam ver uma obra do Cildo Meireles ou ouvir um show da Elza Soares sem sair de casa’.
O sucesso desse formato, no entanto, levanta questões sobre a precarização do trabalho artístico. A maioria dos participantes do DoSol recebeu cachês simbólicos, financiados por crowdfunding e editais públicos. Em contrapartida, ganharam visibilidade e puderam testar linguagens inovadoras, como as instalações imersivas criadas pelo coletivo Opavivá!. O projeto Bienal de São Paulo já anunciou que adotará parte dessas experiências em sua próxima edição presencial, prevista para 2027.
Especialistas apontam que a arte pós-pandemia não será mais a mesma. ‘Estamos vivendo uma revolução silenciosa, onde o artista se torna curador, produtor e programador’, afirma o sociólogo Néstor García Canclini. Resta saber se o modelo de negócios vai se adaptar a essa nova realidade ou se os criadores continuarão bancando a inovação com recursos próprios.
