Moda consciente nasce no litoral fluminense
Enquanto o mundo da moda debate sustentabilidade, uma pequena cooperativa em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, coloca em prática o que há de mais inovador: tecidos feitos a partir de resíduos têxteis reciclados. Batizada de ‘Maré Têxtil’, a iniciativa já emprega 30 mulheres da região e produz peças que chamaram a atenção de grandes grifes.
A fundadora, Ana Costa, ex-estilista da grife paulistana ‘Mara Paris’, decidiu retornar às suas raízes após uma viagem à Europa, onde viu o potencial do upcycling. “Percebi que o Brasil joga fora toneladas de tecido por ano. Quis dar um destino nobre a esse material”, conta.
O processo é artesanal: as mulheres selecionam retalhos, lavam, desfiam e tecem novos fios. O resultado são peças únicas, com texturas e cores variadas, vendidas em feiras de moda sustentável em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em junho de 2026, a marca foi convidada para a São Paulo Fashion Week, onde apresentou uma coleção cápsula em parceria com a estilista internacional ‘Mia Kurihara’.
Segundo dados da cooperativa, cada peça evita que cerca de 2 kg de resíduos têxteis sejam descartados em aterros. “É moda com propósito”, resume Ana. A expectativa é expandir para mais comunidades litorâneas, treinando novas artesãs.
O sucesso da Maré Têxtil reflete uma tendência global: consumidores cada vez mais exigem transparência. Marcas como a ‘Ralph Lauren’ já anunciaram parcerias com cooperativas similares na América Latina. Para especialistas, o modelo de negócio pode ser replicado em todo o país, gerando renda e reduzindo impacto ambiental.
A história da cooperativa também ganhou destaque em veículos internacionais, como a revista ‘Vogue UK’, que a chamou de ‘exemplo de moda circular’. Em julho, a Maré Têxtil lançará seu primeiro e-commerce, com entregas para todo o Brasil.
