Uma nova fronteira da computação acaba de ser atravessada: pela primeira vez, uma equipe de cientistas da FinalSpark, startup suíça, integrou neurônios humanos vivos a chips de silício, criando processadores biológicos capazes de aprender e se adaptar em tempo real. Os chamados ‘organoides cerebrais’ – minicérebros cultivados em laboratório – são conectados a eletrodos e treinados com algoritmos de inteligência artificial para executar tarefas complexas de reconhecimento de padrões, tomada de decisão e aprendizado não supervisionado.
O projeto, coordenado pelo neurocientista Dr. Martin Korb, já demonstrou que esses biocomputadores consomem 100 mil vezes menos energia que os processadores eletrônicos equivalentes, além de apresentarem capacidade de autoprogramação e adaptação a estímulos externos. ‘Estamos diante de uma revolução silenciosa: a computação biológica pode resolver problemas que os chips de silício jamais conseguirão, como a compreensão de contexto e emoções’, afirmou Korb durante o lançamento do protótipo em Zurique.
Os testes iniciais incluíram simulações de jogos como Pong, onde os neurônios aprenderam a controlar a raquete em minutos, e tarefas de classificação de imagens. A equipe planeja agora ampliar o número de neurônios de 800 mil para 1 bilhão, aproximando-se da capacidade de um cérebro de rato. Para isso, contam com investimento de 50 milhões de dólares de fundos europeus e da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA (DARPA).
Especialistas advertem, no entanto, para questões éticas: até onde esses ‘chips vivos’ podem desenvolver consciência? A Organização Mundial da Saúde (OMS) já convocou uma comissão para regulamentar a pesquisa. Enquanto isso, gigantes da tecnologia como Google e IBM anunciaram parcerias com startups de neurocomputação, sinalizando que a era dos computadores orgânicos pode estar mais próxima do que imaginamos.
