O Renascimento do Bordado Artesanal nas Passarelas de 2026
A moda em 2026 testemunha um movimento de resgate do bordado artesanal, que deixa de ser apenas detalhe para se tornar protagonista em coleções de grifes como Dolce & Gabbana, Valentino e a brasileira Farm. O fenômeno, batizado de ‘Slow Fashion Bordado’, une sustentabilidade, valorização cultural e alta-costura.
Em Paris, a estilista francesa Marine Serre apresentou uma coleção inteiramente bordada à mão por artesãs da região da Bretanha, utilizando técnicas seculares. Já em Milão, a Prada apostou em bordados geométricos indígenas brasileiros, em parceria com a comunidade Ashaninka do Acre. A iniciativa não apenas gerou renda para as bordadeiras, mas também trouxe visibilidade a um saber quase extinto.
No Brasil, a marca Farm lançou uma cápsula com bordados de grupos de mulheres do Ceará, enquanto a grife paulistana PatBo celebrou a técnica do ‘richelieu’ nordestino. O movimento também ecoa nas ruas: em São Paulo e no Rio de Janeiro, lojas como a Dona Coisa e a Estação Ekletika registram aumento de 40% na procura por peças bordadas à mão.
Especialistas apontam que a tendência reflete uma busca por autenticidade em meio à produção em massa. ‘O bordado artesanal é uma declaração de resistência cultural e de consumo consciente’, afirma a consultora de moda carioca Liana Levi. Para a estilista mineira Helena Bicalho, que mantém ateliê em Belo Horizonte, o bordado é ‘a alma da roupa’.
A expectativa é que o movimento ganhe ainda mais força com a aproximação da São Paulo Fashion Week de julho, que terá uma exposição dedicada ao bordado brasileiro. Grandes varejistas, como a Riachuelo, já anunciaram linhas especiais com bordados feitos por cooperativas locais. A moda, ao que parece, está tecendo um novo futuro — fio a fio, ponto a ponto.
