Artistas se apropriam da IA como pincel e tela
Em meio ao debate sobre originalidade, um movimento silencioso toma conta dos estúdios: artistas estão usando inteligência artificial não como substituta, mas como parceira de criação. A exposição ‘Algoritmos de Afeto’, em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, reúne obras do coletivo Neural Blooms, formado por Rafaella Costa, Lucas Menezes e a dupla internacional AKIRA+ZOE.
As peças combinam fotografias analógicas, pintura a óleo e redes neurais generativas. ‘Não somos operadores de prompts; somos curadores de possibilidades’, diz Rafaella. O processo inclui alimentar a IA com milhares de imagens de arquivos pessoais e, depois, selecionar e intervir manualmente nos resultados.
O crítico de arte Paulo Ricardo Neto compara o fenômeno ao uso da fotografia no século XIX. ‘A IA expande o vocabulário visual, mas exige curadoria humana. O talento não está em gerar, mas em escolher’, afirma. Paralelamente, o laboratório ArtBots, no Rio de Janeiro, oferece residências para artistas aprenderem a programar suas próprias ferramentas, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Evento paralelo, a feira ‘IA Criativa’ acontece em Brasília, reunindo startups e galerias. Entre elas, a Galeria Foco, que representa artistas que usam tecnologia, e a plataforma NeurArt, que vende NFTs curados. ‘O mercado está sedento por arte que dialogue com o presente’, diz a galerista Marina Sá.
Críticos apontam riscos de homogeneização estética, mas defensores veem diversidade. ‘Cada artista imprime sua marca no código’, defende Lucas. A mostra segue até setembro, com curadoria de Ana Clara Martins.
