A volta do linho artesanal
Na pequena cidade de Resende Costa, em Minas Gerais, um movimento silencioso está redesenhando o cenário da moda brasileira. Jovens estilistas, como Ana Clara Mendes, estão deixando os escritórios de São Paulo para se dedicar à tecelagem manual de linho, fibra milenar que ganha nova roupagem sustentável.
O projeto Tecendo Raízes, iniciado em 2024, já conta com 40 artesãs locais. Elas produzem tecidos que misturam técnicas herdadas de suas avós com modelagens contemporâneas. As peças, vendidas em lojas conceito de Paris e Tóquio, chegam a custar R$ 2 mil, valor que reflete o trabalho manual e a exclusividade.
Para a estilista Camila Torres, especialista em moda ética, o resgate do linho artesanal representa uma resposta à fast fashion: ‘O consumidor busca peças com história, que respeitem o meio ambiente e valorizem o trabalhador brasileiro.’
A tendência já atrai o olhar de grandes marcas. A Renner, por exemplo, fechou parceria para uma coleção cápsula com o grupo de artesãs, prevista para julho de 2026. O projeto também recebeu apoio do Sebrae e do Ministério da Cultura.
A produção de linho no Brasil, concentrada em Minas Gerais e no Sul, utiliza menos água que o algodão convencional. Cada metro do tecido artesanal leva até 8 horas para ficar pronto, garantindo qualidade e durabilidade.
