Em um marco para a indústria de energia renovável, a startup paulista AlgaePower anunciou hoje uma rodada de investimento de R$ 200 milhões liderada pelo fundo GreenRock Ventures e pelo BNDES. A empresa desenvolveu um processo patenteado que converte microalgas cultivadas em tanques solares em querosene de aviação sustentável (SAF), com potencial de reduzir em até 80% as emissões de CO₂ em comparação com combustíveis fósseis.
O CEO da AlgaePower, Carlos Mendes, explicou que a tecnologia utiliza cepas geneticamente modificadas de algas que consomem CO₂ residual de usinas de etanol. “Cada quilo de alga produz cerca de 0,5 litro de SAF, e o processo é escalável para atender 10% da demanda nacional de aviação até 2030”, afirmou. A fábrica piloto em Campinas (SP) já opera com capacidade de 3 milhões de litros por ano.
Parcerias com empresas como Latam, Gol e Embraer estão sendo negociadas para testes em voos comerciais. O Ministério de Minas e Energia, sob a gestão do ministro Alexandre Silveira, sinalizou incentivos fiscais para projetos de SAF no âmbito do programa Combustível do Futuro. Segundo especialistas, se aprovada, a iniciativa pode tornar o Brasil um líder global em aviação sustentável, aproveitando a vasta área agriculturável e o sol abundante.
Analistas do mercado financeiro, como João Pedro Silva, da XP Investimentos, destacam que o valuation da startup saltou de R$ 500 milhões para R$ 1,5 bilhão após o aporte. “A corrida por descarbonização na aviação está aquecida, e a AlgaePower sai na frente com baixo custo de produção”, comentou. A expectativa é que a empresa abra capital na B3 em 2027.
