Nova Fronteira na Robótica
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) anunciaram a criação de um robô biológico capaz de se autorreparar, utilizando células vivas como base. O projeto, liderado pelo professor Ricardo de Oliveira, do Instituto de Ciências Biomédicas, combina engenharia genética e robótica para produzir estruturas que imitam tecidos vivos.
Como Funciona
O robô é composto por hidrogéis enriquecidos com células musculares e neurais geneticamente modificadas. Quando sofre um dano, as células se reorganizam e secretam fatores de crescimento que fecham a lesão em horas. “É como se o robô tivesse um sistema imunológico artificial”, explica Oliveira.
Os experimentos mostraram que o robô pode se recuperar de cortes de até 3 centímetros em 24 horas. A energia necessária para a regeneração é fornecida por pequenas biobaterias à base de glicose e oxigênio.
Aplicações Promissoras
A equipe vislumbra usos em áreas como próteses inteligentes, sensores ambientais para monitoramento de poluição, e robôs de resgate que possam se regenerar em terrenos adversos. “A longo prazo, queremos integrar esses robôs ao meio ambiente para que eles reciclem materiais”, complementa a coautora Dra. Maria Fernanda Santos.
A pesquisa foi publicada na revista Nature Biotechnology e já atrai interesse de empresas como a Google e a Microsoft, que buscam parcerias para comercialização.
Críticos, no entanto, apontam desafios éticos e de segurança. “O controle sobre organismos vivos artificiais precisa ser rigoroso para evitar riscos ambientais”, alerta o bioeticista Dr. João Pedro Lima, da Unicamp.
O próximo passo dos pesquisadores é aumentar a complexidade dos robôs, permitindo que tomem decisões autônomas com base em estímulos do ambiente.
